CENTO E VINTE E CINCO ANOS

                                   

 

Comemora-se este ano  o Centésimo Vigésimo Quinto aniversário da nossa Associação.

O contexto de pandemia que vivemos não nos permite fazer deste aniversário uma festa, uma celebração dos Bombeiros de Almoçageme com a sua Comunidade.

E logo este ano que estamos orgulhosos dos novos veículos, dos novos equipamentos e dos novos dormitórios femininos e masculinos que vos queríamos mostrar.

A obra está feita.

Quando o Covid se for embora estaremos cá, convosco, de portas abertas como sempre estivemos.

O momento é de tolerância zero com todos os comportamentos de risco. Iremos manter a rigorosa observância das normas da DGS e da ANEPC para estarmos em estado de prontidão permanente para vos prevenir, proteger e intervir na salvaguarda da vossa vida e segurança.

 

Em 125 anos já passámos e sobrevivemos a tudo : a bancarrota de 1898, o assassinato de rei e do príncipe herdeiro, o derrube da Monarquia e a Implantação da República, a I Guerra Mundial, a epidemia da gripe espanhola, o Estado Novo de Salazar, a II Guerra Mundial, a fome e a falta de liberdade, a guerra colonial, e, felizmente, o 25 de Abril.

Não vai ser esta epidemia que nos vai deitar abaixo.

Não nos estão a exigir os sacrifícios que os nossos pais, avós e bisavós sofreram.

Estão a pedir que basta que todos usemos máscara em lugares públicos, lavemos as mãos e a cara com frequência e mantenhamos distância física uns dos outros.

 

1895

«Distando cerca de três quilómetros para sudoeste da Vila de Colares - e integrando a sua freguesia (concelho de Sintra) -, Almoçageme aninha-se na vertente noroeste da Serra de Sintra, já próximo do litoral. O núcleo habitacional primitivo desta aldeia desenvolve-se em círculo, a partir de uma densa malha urbana, sugerindo antigas origens, com as suas tortuosas e estreitas ruas.

Ao longo dos séculos, o seu alvo casaria de raiz vernacular solidamente erguido em alvenaria de pedra, exaltando os volumes cúbicos e os telhados mouriscos, foi-se espraiando pela encosta, cercado por pequenas hortas, pomares e vinhas que humanizam a paisagem, conferindo-lhe uma ambiência verdadeiramente rural.

No século XIX, a população de Almoçageme dedicava-se à exploração da terra, produzindo abundantes e variados legume, saborosas frutas (em particular, o pêssego rosa, a maçã raineta e a pera rocha) e uva da casta ramisco, a partir da qual se fabricava o famoso Vinho de Colares, hoje em completa decadência.

Por essa altura, o combate aos incêndios que, aliás, se observavam com alguma frequência, sobretudo nas medas de matos para as camas de gado acumuladas nos pátios, junto às casas, e nas chaminés, estava a cargo da própria comunidade que se organizava sempre que ocorresse qualquer fogo. Formavam-se, então, longas filas de homens e mulheres que, entre si, passavam baldes, canecos ou bilhas com água ao grupo mais afoito que os despejava nas chamas, enquanto outros, munidos de incipientes batedores, tentavam abafar as ondulantes labaredas. Contudo, estes métodos revelavam-se insuficientes para a extinção atempada dos incêndios, o que resultava quase sempre em significativos prejuízos, por vezes irrecuperáveis.

Porém, esta secular atitude perante o fogo alterar-se-ia na última década de oitocentos, quando um grupo de homens bons decidiu - na esteira do espírito associativista que caracterizou o país, sobretudo na segunda metade do séc. XIX, quando muitas das associações de cariz cultural e/ou social promoveram corporações de bombeiros, os quais contribuíram de forma inequívoca para a segurança e bem-estar das populações -, criar uma Associação de Bombeiros Voluntários, à semelhança do que, em termos regionais, se fizera em Paço D'Arcos (1893), Cascais (1886), Sintra (1890) e Colares (1890).»

O facto que deu origem à fundação dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme teve lugar «durante os festejos em louvor da Nossa Senhora da Graça, em Outubro de 1893, verificou-se um grande incêndio provocado por um foguete [... do novo sistema de assobio, que, caindo sobre uma meda de mato (propriedade de José Valério Vicente) comunicou-lhes fogo, rapidamente por quatro partes, sendo impotentes todos os esforços para o debelar e apresentando, numas poucas horas, um aspecto imponente contemplado por centenas de pessoas que fizeram diferentes comentários.]. As inusitadas proporções deste fogo obrigou a que se recorresse aos préstimos dos Bombeiros de Colares, cuja bomba [ainda que tarde, devido à grande distância, prestou relevantes serviços].

Este facto, ao qual não serão alheios outros incêndios, porém, de menores proporções entretanto verificados, e certos bairrismos e rivalidades entre as populações e famílias patriarcas, nomeadamente os Gomes da Silva, em Almoçageme, e os Costa, em Colares - que aliás haviam dotado a Vila de um corpo de bombeiros e de uma banda, respectivamente em 1890 e 1891 - terá levado os almoçagemenses a cogitar na criação do seu próprio corpo de bombeiros.

No entanto, nada se conhece sobre o processo de organização da Associação dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme, nem sobre os seus principais impulsionadores, porquanto não chegaram até nós quaisquer fontes escritas ou registos orais que nos permitam esclarecer o assunto. Hoje, apenas se sabe que esta ideia terá sido apadrinhada por José Gomes da Silva, capitalista e grande comerciante de Vinho de Colares que havia já incentivado a criação da filarmónica local, em 1892.

Este processo, devido a limitações várias - e à semelhança do sucedido na formação de outras instituições similares -, terá sido moroso, pois, apenas em 1895 se constituiu, na realidade, a Associação dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme. Dos primeiros tempos de vida desta Associação chegaram até nós escassos testemunhos materiais. Por conseguinte, encontram-se depositadas no Museu Renato Lobo Garcia (Museu Monográfico da Associação dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme) duas capas de couro, provavelmente pertencentes a livros de assentos e quotas, infelizmente já desaparecidos, que ostentam, picotada, a data de 19 de Agosto de 1895, o que nos permite, de imediato, colocar a hipótese de ser essa a data da fundação do Corpo de Bombeiros.»

 

( Maria Teresa Caetano, Cem Anos ao Serviço da Comunidade ) 

 

     

 

 

Celebrar 120 anos dos Bombeiros de Almoçageme é celebrar a dedicação de 4 a 5 gerações desta comunidade que se junta e une em redor dos valores que transformaram estas aldeias do limite ocidental de Sintra num exemplo contínuo de solidariedade. São muitos Bombeiros, muitos Comandantes, muitos Dirigentes Associativos que nos trouxeram até ao dia de hoje. São muitas lutas, muitos esforços, muito trabalho de quem apoiou, persistiu e construiu abnegadamente esta Associação para honrar a generosidade e coragem desta Corporação de Bombeiros, quase todos voluntários, que todos os dias, ao longo de 120 anos, estiveram sempre dispostos a sacrificarem-se para socorrer a nossa população e estar na linha da frente na protecção da nossa serra, a Serra de Sintra.

 

Nós, esta Direcção, só cá estamos nos últimos quatro anos.

A cumprir a missão que nos foi confiada.

Somos novamente uma associação de boas contas, com um grau elevado de operacionalidade, com um parque de viaturas renovado, uma central de comando e comunicações nova, equipamentos de protecção individual da mais alta qualidade para todos os nossos bombeiros ( de que fomos pioneiros a nível nacional ), um Centro de Formação Operacional inaugurado este ano que nos garante a excelência na formação( de que são exemplo a Unidade Local de Formação da Escola Nacional de Bombeiros e as parcerias que estabelecemos para a formação prática do curso de protecção civil da EPAV ) e o serviço à comunidade.

O serviço à comunidade que nunca esquecemos porque é dela, da nossa comunidade, que emergimos. Por isso nos esforçámos por construir um novo Centro Clínico, um novo Centro de Fisioterapia e uma Farmácia, um equipamento que Almoçageme tinha perdido e que liderámos para o recuperar para proporcionar apoio farmacêutico de proximidade à aldeias da nossa área de intervenção. Assim como já estamos na linha da frente para a prestação do serviço Táxi Social e no apoio ao programa Farmácia Acessível, para permitir que os que mais necessitam tenha acesso à medicação de que necessitam.

 

MAS QUEREMOS MAIS.

Porque, mesmo com as boas contas que nos regulam a vida económica desta associação todos os dias, depois de pagar todas as contas que fazemos questão de saldar todos os meses, sobram-nos poucos euros na tesouraria.

Porque vivemos numa área com pouca população, poucas empresas, que tem mais árvores que pessoas.

Não nos importamos. Mas precisamos de construir meios que criem um desafogo estrutural que garanta que a nossa Corporação de Bombeiros possa enfrentar com sucesso as circunstâncias difíceis que sempre aparecem.

Para ultrapassar este garrote da nossa dimensão de recursos, que só nos permite ter a cabeça fora de água, elaborámos um projecto, sustentado juridicamente numa decisão da Assembleia Geral da nossa Associação, investimos em veículo e equipamentos de apoio a trabalhos florestais, para cumprir três objectivos simultâneos: programa de prevenção activa sistemática contra incêndios na Serra de Sintra, prestação de serviços na área do ambiente por parte da AHBVA e  economia de meios para as instituições que gerem  a àrea florestal e o Património Cultural da nossa Serra.

Apresentámos o projecto à CMS, foi acarinhado e incentivado.

É um trabalho consistente, com gestão técnica do nosso Comandante, que irá garantir, a médio e longo prazo, uma protecção mais eficaz contra incêndios na Serra de Sintra através de trabalhos de prevenção, hoje obrigatórios de acordo com a legislação aplicável.

A nossa expectativa é positiva.

Dar-vos-emos notícia mais precisa do que vier a acontecer.

 

FAZEMOS 120 ANOS NO MESMO ANO QUE A PAISAGEM CULTURAL DE SINTRA, O NOSSO PATRIMÓNIO MUNDIAL, FAZ 20 ANOS.

Não é muito difícil perceber o que esta dentro dos 20 anos de Sintra Património Mundial.

Está lá o Promontorium Magno, o nosso Cabo da Roca,  que impressionou o romano Plínio, O Antigo.

Está lá a “complexa realidade humana que se traduziu na continuada fixação, mistura e convivência, num mesmo território, de gentes oriundas de diferentes países e climas, está lá uma Romanidade onde se misturam populações provindas de quase todas as províncias do Império Romano, a Sintra visigótica, muçulmana, judaica e moçárabe”,  a Sintra de todas as Dinastias portuguesas;

Estão lá a Igreja da Ulgueira, a Igreja do Penedo, as ruínas da Ermida Medieval de São Saturnino, a Ermida da Peninha, o Santuário pré-histórico de Andro Nunes, o Tholos do Monge, os dezanove séculos da Villa Romana de Santo André de Almoçageme, o Santuário romano consagrado ao Sol, à Lua e ao Oceano no Alto da Vigia, a Convento dos Capuchos, a Pista de Fósseis da Praia Grande, o Fojo e a Pedra de Alvidrar, o Cabo da Roca. Todo este património só na nossa área de intervenção. Respeitados o potenciados pela boa gestão dos Parques de Sintra / Monte da Lua.

ESTÃO LÁ, NOS 20 ANOS DE SINTRA PATRIMÓNIO MUNDIAL, AS COMUNIDADES DESTAS ALDEIAS OCIDENTAIS À BEIRA MAR PLANTADAS. COMUNIDADES QUE SEMPRE VIVERAM EM EQUILÍBRIO COM UMA SERRA QUE ERA FUNDAMENTAL PRESERVAR PARA GARANTIR A SUA VIVÊNCIA E SEGURANÇA.

E ESTÃO LÁ OS QUE SEMPRE SE SACRIFICARAM PARA AS PROTEGER E A SERRA QUE AS ACOLHE.

ESTÃO LÁ OS 25 MILITARES DO REGIMENTO MORTOS A DEFENDER A SERRA DE SINTRA CONTRA UM INCÊNDIO IMPLACÁVEL.

ESTÃO LÁ OS 120 ANOS DOS BOMBEIROS DE ALMOÇAGEME

E ESTÃO LÁ OS BOMBEIROS QUE HOJE, SEMPRE PRESENTES, ESTÃO TAMBÉM SEMPRE EM ESTADO DE PRONTIDÃO PARA GARANTIR A PROTECÇÃO DAS PESSOAS E DOS SEUS BENS, E A PRESERVAÇÃO DE UM PATRIMÓNIO MUNDIAL QUE TANTO NOS ORGULHA.

UNIDADE LOCAL DE FORMAÇÃO 

DA ESCOLA NACIONAL DE BOMBEIROS 

NOS BOMBEIROS DE ALMOÇAGEME

Na Escola Nacional de Bombeiros, procedeu-se a assinatura do Protocolo que cria a Unidade Local de Formação com as valências de formação em Combate a Incêndio Florestal ( Parque Natural ) e Resgate em Grande Ângulo ( Falésia ) que ficará instalada no Centro de Formação Operacional da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Almoçageme.

A gestão desta Unidade Local de Formação será da responsabilidade da ENB e do Comando dos Bombeiros de Almoçageme e cumprirá a formação definida pela ENB para todos os bombeiros do Distrito de Lisboa.

Este protocolo, o primeiro no distrito de Lisboa, foi co-assinado pelo Presidente Basílio Horta da Câmara Municipal de Sintra, pelo Presidente José Ferreira da Escola Nacional de Bombeiros, pelo Cte. Pedro Araújo Vice-Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa e pelo Presidente Maurício Barra da AHBV de Almoçageme.

A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Almoçageme agradece a todas as entidades envolvidas o apoio a esta iniciativa da Direcção e do Comando dos Bombeiros de Almoçageme.

 

 GENEROSIDADE E CORAGEM

 

Foi com a generosidade e a coragem de várias gerações de habitantes de Almoçageme, desde os fundadores até aos jovens cadetes de hoje, que se construiu e solidifica o prestígio da nossa Corporação de Bombeiros, que este ano perfaz 120 anos. Sempre presente e interventiva, a população de Almoçageme e a sua Corporação estão hoje unidas por elos inquebráveis de solidariedade e de pertença comum.

É esta aliança forte entre os Bombeiros de Almoçageme e a sua população que nos dá a convicção de que os tempos económicos difíceis que agora enfrentamos serão ultrapassados, com consciência do nosso dever de bem gerir, com rigor, com bom senso e com a noção permanente de que existimos para prestar serviços à comunidade.

Mas hoje temos de colocar uma questão que no passado outros, os que engrandeceram esta corporação, tiveram de enfrentar: em vez de perguntar o que a Associação dos Bombeiros de Almoçageme pode fazer por nós, questionarmo-nos sobre o que é que nós podemos fazer pelos Bombeiros de Almoçageme. É na resposta a esta questão, e com a bem-vinda participação de todos, que ficará garantido o sucesso e a vitalidade do futuro dos Bombeiros de Almoçageme.

Com a generosidade e a coragem de sempre.

Maurício Moraes Barra

Presidente da Direcção da AHBVA

 

 

 

 

 FILME GENTES DA MINHA TERRA

Notícias

PUBLICAÇÃO DAS DELIBERAÇÕES DA DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE ALMOÇAGEME

02-10-2011 11:26
Sendo a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme uma instituição de utilidade pública, considera esta Direcção que deverão ser do conhecimento público as decisões com maior destaque aprovadas nas Reuniões da Direcção da AHBVA, por forma a que os nossos associados acompanhem o trabalho do executivo que elegeram. Consulte na pasta Direcção as deliberações aprovadas.  

PLANO DE ACTIVIDADES 2011-2022

23-08-2011 08:54
Consulte na pasta Associação, o Plano de Actividades actualizado aprovado pela Direcção da AHBVA para o período 2011-2017
Itens: 16 - 17 de 17
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